A distância psicológica no processo de internacionalização

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Sempre que um indivíduo ou empresa de um determinado país conclui uma transação comercial com outro país, estamos diante do que se denomina “internacionalização de pessoas/empresas”. Trata-se de um conceito muito intuitivo, mas que na prática pode apresentar desdobramentos mais complexos.

Uma das maiores complexidades a ser enfrentada no processo de internacionalização é o que se denomina “distância psicológica”. A compreensão acerca de “distância” é facilmente apreendida. Trata-se, naturalmente, do espaço físico e geográfico entre dois ou mais países no processo de internacionalização. No entanto, o elemento psicológico associado a essa ideia de espaçamento na geografia, incorpora ao conceito os atributos humanos da insegurança, do medo, até ansiedade, provenientes da desinformação, do desconhecimento, talvez até ignorância acerca dos passos básicos no processo de internacionalização.

Portanto, podemos entender que a distância psicológica é o conjunto de barreiras estabelecidas pelos agentes que pretendem participar do processo de internacionalização, fruto do desconhecimento das variáveis desse processo, e que se põe como elemento a afastar tais agentes do seu propósito de concluir transações num espaço geográfico que excede o seu próprio país.

A grande pergunta é: como afastar a barreira da distância psicológica e assim fomentar maiores transações?

Parece-me que é fundamental compreender que a internacionalização de pessoas antecede a internacionalização das empresas. Ora, se a distância psicológica pode ser um entrave para bons negócios e ela decorre justamente de um elemento humano, nada mais assertivo do que estabelecer ações que impactem o comportamento humano a assim remover essa distância.

Escrevi recentemente sobre o tema e destaquei que as pessoas se internacionalizam antes de suas organizações. O caminho da busca de novos mercados, a busca pela internacionalização das empresas, sem a internacionalização das pessoas que integram ou apoiam essas organizações muito dificilmente ocorrerá ou, se ocorrer, vai se desenvolver em limites abaixo do potencial.

Qual o principal óbice? Conforme já destacado, a distância psicológica.

Portanto, minha provocação é a seguinte: o que temos feito como indivíduos para reduzir essa distância e assim apoiar o inarredável processo de internacionalização? 

Conhecer outros idiomas, estudar sobre a história e a cultura de outros países, fazer um curso no exterior, participar de alguma organização internacional, abrir uma conta corrente fora do país, fazer um investimento no exterior, ainda que de pequena monta, constituir uma pessoa jurídica estrangeira como veículo para participações em outras empresas, criar um planejamento sucessório que contenha pessoas jurídicas internacionais, buscar uma segunda cidadania, construir uma história de crédito no país desejado, são exemplos de ações que cada indivíduo pode considerar no seu processo pessoal de internacionalização. 

Ao seguir essa trilha, a visão se ampliará, o conjunto de experiências no ambiente externo trará mais segurança para outros passos e um novo leque de oportunidades vai se descortinar.

Permitam-me um exemplo pessoal: aos 20 anos de idade, participei de um projeto voluntário com mais de 200 jovens americanos. Muitos disseram que participar desse projeto seria uma perda de tempo e iria atrasar meus estudos, pois foram dois anos dedicados a isso. Porém, a interação cultural e a minha internacionalização pessoal foram aquisições sem preço para um jovem de 20 anos. Entendi que precisava estudar fora e depois, o desejo da conquista me impulsionou a superar quaisquer obstáculos e assim conseguir um mestrado em Direito Comercial Internacional numa Universidade renomada nos EUA. 

Essas escolhas, fizeram toda a diferença na vida pessoal, familiar e profissional. Esses foram os passos iniciais de uma história de internacionalização, que teve início justamente por reduzir a distância psicológica do processo.

Talvez a pergunta mais cabível não seja o que a organização que você integra tem feito para se internacionalizar, mas sim o que você tem feito para reduzir essa distância e buscar a sua internacionalização pessoal? Cada um tem o seu caminho. O importante é começar no ponto em que você se encontra e dar os passos que você alcança.

Nesta oportunidade, não poderia deixar de mencionar o Professional Development em Internacionalização para os EUA e China como uma ferramenta poderosa para diminuir essa distância e permitir àqueles que desejam percorrer a trilha da internacionalização um conjunto de conhecimento a amparar e apoiar a iniciativa.

Sinto-me honrado pelo convite para, juntamente com os professores Marcus Freitas e Douglas Castro, cobrir pontos relevantes deste fascinante mundo da internacionalização.

A revolução tecnológica resultou em um mundo praticamente sem barreiras.  Ademais, no tempo máximo de 24 horas, você consegue estar em qualquer parte do mundo.  Porém, o medo, em quaisquer de suas manifestações e origem, é sempre o maior inimigo para qualquer conquista. Afastar a distância psicológica e remover qualquer barreira neste processo é uma escolha pessoal.

Tenho certeza que o conteúdo organizado pela Ambra University vai ser um aliado importante para afastar essa distância, fomentar transações comerciais, num mundo cuja geografia se posiciona de maneira cada vez mais próxima.

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