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Como evitar a Corrupção e Lavagem de Dinheiro? No sétimo artigo dessa série, responderemos à essa pergunta sob a perspectiva do Monitoramento
A área de Compliance deve realizar o monitoramento contínuo da implementação do programa. Essa atividade pode ser conduzida por meio de auditoria interna e/ ou externa.
Uma empresa deve se submeter a auditorias internas e externas não apenas para cumprir obrigações legais, mas também por diversas razões estratégicas e operacionais que contribuem para seu fortalecimento e crescimento sustentável. As auditorias internas são fundamentais para identificar falhas, ineficiências e riscos nos processos internos, possibilitando a implementação de melhorias contínuas que aumentam a eficiência e a qualidade das operações. Além disso, tanto as auditorias internas quanto as externas desempenham um papel crucial na prevenção e detecção precoce de fraudes, desvios e práticas inadequadas, protegendo a empresa contra perdas financeiras e danos à sua reputação.
Outro aspecto importante é o fortalecimento da governança corporativa. A realização regular dessas auditorias demonstra o compromisso da empresa com a transparência, a ética e as boas práticas de gestão, o que aumenta a confiança de investidores, clientes, parceiros e demais stakeholders. No caso das auditorias externas, elas conferem credibilidade aos relatórios financeiros, que são essenciais para a tomada de decisão dos acionistas, investidores e instituições financeiras, facilitando o acesso a crédito e investimentos.
Além disso, as auditorias garantem que a empresa esteja alinhada não apenas com a legislação vigente, mas também com suas próprias normas internas, políticas corporativas e as melhores práticas do mercado, reduzindo riscos legais e regulatórios. Elas também permitem mapear riscos operacionais, financeiros e de compliance, ao mesmo tempo em que identificam oportunidades de melhoria e inovação que podem gerar vantagem competitiva. Por fim, a prática constante de auditorias incentiva uma cultura organizacional focada em responsabilidade, controle e accountability, fortalecendo o ambiente interno e a disciplina corporativa.
Os objetivos das auditorias interna e externa são distintos: enquanto a auditoria interna tem como finalidade educar a administração e os colaboradores sobre formas de aprimorar as transações comerciais e a eficiência operacional, a auditoria externa busca conferir confiabilidade e credibilidade aos relatórios financeiros apresentados aos acionistas.[1] Por essa razão, é fundamental que a empresa mantenha ambas as práticas.
Além disso, é imprescindível realizar a análise da efetividade dos controles existentes e aplicados. Caso os controles estabelecidos se mostrem insuficientes, será necessário revisar e ajustar as medidas adotadas, prevenindo possíveis lacunas (“gaps”). A efetividade do programa deve ser concreta, pois, mesmo um pequeno deslize pode acarretar perdas significativas. Para isso, pode-se contratar um provedor externo especializado para conduzir essa análise, identificando eventuais falhas e sugerindo melhorias a serem implementadas.
Normalmente, essa avaliação é realizada por empresas especializadas, contratadas especificamente para essa finalidade.
Conforme destaca Giovanini:
“… o monitoramento deve ser compreendido como algo muito além de um conjunto de tarefas isoladas, tais como investigações, auditorias, controles, pesquisas e análises críticas periódicas. Trata-se de um modelo inteligente, previamente estruturado e arquitetado, que visa medir o desempenho do sistema de Compliance, analisar os resultados, permitir os ajustes necessários e promover a melhoria contínua.”[2]
Em suma, o monitoramento contínuo por meio de auditorias internas e externas é essencial para garantir a efetividade e a evolução do programa de Compliance. Essas auditorias não apenas asseguram o cumprimento das obrigações legais, mas também fortalecem a governança corporativa, promovem a melhoria contínua dos processos e protegem a empresa contra riscos financeiros e reputacionais. A análise constante da efetividade dos controles permite identificar e corrigir eventuais falhas, assegurando que o programa de Compliance cumpra seu papel de forma eficaz e sustentável, contribuindo para a integridade e o sucesso da organização.
Continue nos acompanhando, pois no próximo artigo abordaremos como prevenir a corrupção e a lavagem de dinheiro sob a perspectiva do Compliance.
[1] Bravosi, Jéssica de Jesus. Santos, Silvana Duarte dos. Consideração acerca da auditoria interna e externa. Disponível em https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/auditoriainternaeexternadoc.pdf. Acesso em 20/11/2025
[2] Giovanini, Wagner. Programas de Compliance e anticorrupção: importância e elementos essencias In: PAULA, Marco Aurélio Borges de; CASTRO, Rodrigo Pironti Aguirre de. Compliance, Gestão de Riscos e Combate à Corrupção. Editora Forum. 2020. Pág.114.
